Value Investing: Como avaliar o valor das empresas?

Este, particularmente, é um tópico muito agradável em explicar por dois motivos: em primeiro lugar, por ser a metodologia escolhida pelos monstros das finanças mundias – leia-se Benjamin Grahan e Warren Buffet – e em segundo lugar, porque sou desta escola.

Acredito que avaliar o valor de forma robusta não é fácil, mas prazeroso quando bem-feita e, claro, cai melhor para alguns perfis de investidores.

O Value Investing – ou, na sua tradução livre, Investimento pelo Valor – pode ser considerada uma estratégia de investimento da escola de análise fundamentalista, muito ligada ao conceito da Margem de Segurança, que pretendo abordar por aqui no futuro.

Como a análise é baseada em fundamentos – veja este outro artigo sobre o tema <incluir link para #2 bmad.acoes> – ela acaba se tornando algo pessoal e única para cada investidor em seu momento de vida, explico: um jovem que mora em casa com os pais pode assumir mais riscos do que um pai de três filhos em idade escolar. Desta união do objeto do investimento e do que faz sentido para o investidor nasce o “casamento” para uma duradoura união. Lembre-se que ansiedade não combina com investimentos, ok?

De forma mais prática, pode-se definir o Value Investing como a busca de ações subvalorizadas no mercado, mas com bons fundamentos (performance e gestão adequada, por exemplo).

Alguns investidores chamam de “busca pelos diamantes brutos”, uma vez que o mercado vai forçar a oscilação dos preços por infinitas nuances mercadológicas, mas este mesmo mercado não consegue alterar o valor intrínseco de determinada empresa. Esta é a beleza da análise fundamentalista em busca do valor.

O princípio aqui é buscar as tendências básicas da empresa: se ela apresenta lucratividade, a tendência é que continue assim, mas o oposto é verdadeiro, se ela apresenta sinais de mediocridade também é assim que ela deve, em teoria, se comportar. Claro que nada é preto no branco aqui, uma mudança significativa na governança da empresa, em médio ou curto prazo, tudo pode mudar – pra bem ou pra mal.

Vale repetir: o investidor deve fazer sua própria análise, ponderando os ganhos com os riscos que ele pode aceitar no seu atual momento de vida. A análise é, em essência, subjetiva.

O investidor deve enxergar o potencial de crescimento das empresas estudadas. Uma nuance importante, incentivada pelo método é imaginar que você está comprando a empresa, e não meramente, papéis negociados no mercado. Isto faz toda a diferença na avaliação individual. Associe-se a empreendimentos de sucesso!

Investidores de sucesso

Benjamin Graham

Nascido em 1894, considerado o pai do Value Investing, é o autor de um dos livros mais importantes já escritos sobre análise fundamentalista: “O Investidor Inteligente”, famoso no Brasil.

Graham desenvolveu a base teórica de comprar ações abaixo do seu valor, assim diminuindo os riscos. Ele também promove o pensamento de que ações são negociadas a preços que não refletem seu real valor. Suas técnicas inspiraram ninguém menos que Warren Buffett, que por sinal ficou famoso por esta frase, após.

Warren Buffett

O mais famoso investidor da atualidade nasceu em Omaha, EUA em 1930 e foi aluno e após o funcionário de Graham – seu mentor. Buffett quem fomenta a ideia de comprar ações como se estivesse de fato comprando empresas e com prazos indefinidos.

Para se ter uma ideia, fez seu primeiro investimento aos 14 anos e aos 30 já era milionário. Foi através do Value Investing que ele se tornou um dos homens mais ricos do mundo.

“O preço é o que você paga. Valor é o que você leva.” –  Warren Buffett.

 

Seth Klarman

Nascido em 1957, sucessor que segue de perto a filosofia de investimento de Benjamin Graham. Ficou conhecido por comprar ativos que ninguem queria enquanto abaixo de seu valor intrínseco, buscando uma margem de segurança e lucrando com sua variação positiva no preço.

“Nós temos batido o mercado incrivelmente ao longo dos anos, apesar deste nunca ter sido nosso objetivo. Na verdade, o que nós temos feito consistentemente é tentar não perder dinheiro e, fazendo isso, não só o protegemos como performamos acima da média.” –  Seth Klarman

 

Derivações do modelo

De tão relevante que o método se tornou, variações foram geradas ao longo dos anos. Duas são relevantes:

Deep Value Investing

Esta variação foca em proteger o capital investido a obter grandes lucros futuros nas valorizações dos papéis. O que ocorre é que as variações acontecem e ainda representam um bom negócio para aqueles investidores que aguardam pacientemente.

High quality

Neste caso, busca-se critérios parametrizáveis bem conhecidos – características qualitativas de estabilidade na gestão e credibilidade de mercado – para médio e longo prazo. Ainda assim, a pesquisa pelas ações subvalorizadas garantem uma boa margem de segurança para o investidor.

E agora, disse tudo que preciso saber sobre Value Investing?

Não. Este foi apenas uma breve introdução ao tema e recomendo a leitura incessante de tudo o que está disponível sobre o tema, mas se for começar por algum lugar, recomendo: Os Ensaios de Warren Buffett: Lições para Investidores e Administradores.

Ótimo conteúdo de coletânea escrita pelo próprio Buffettt. Sem dúvida será um belo inicio nos estudos sobre o tema.