Investir em ações americanas

Você pode estar achando que investir em empresas americanas é complexo, mas não é! É relativa simples, contudo, deve-se observar fatores que minimizarão seus riscos.

O investimento no exterior, através dos certificados de renda variável, os BDRs, apesar de terem se tornado mais populares após as recentes quedas de juros declaradas pelo COPOM ainda é um tabu mesmo com investidores experientes. Mas fique tranquilo, que explicaremos tudo por aqui.

O que é e como faço para investir em BDRs?

O BDR (Brazilian Depositary Receipt), ou certificado de depósito de valores mobiliários, é emitido no Brasil mas representando outro emitido por companhias abertas, com sede no exterior – funciona como um proxy para a renda variável.

A instituição que emite no Brasil o BDR é chamada de instituição depositária, que é quem responde por lastrear os investimentos na emissão dos certificados. Este lastro é dado quando a depositária mantêm uma conta de custódia no exterior e casa os saldos nos dois locais. A dinâmica é esta:

  1. Um investidor aqui no Brasil solicita a emissão de um BDR de empresa estrangeira e deposita os fundos na corretora (depositária);
  2. A depositária transfere a mesma quantia para sua conta no país de origem do BDR;
  3. Confirmado os saldos, aqui e lá fora, a depositária emite os respectivos BDRs.

A escolha do BDR se dará por seu ticker – que é seu código de transação na B3 – e pela plataforma da sua corretora favorita. Aqui está a lista das empresas listadas na B3 e suas respectivas informações. Em resumo, para comprar uma BDR basta colocar o código da ação tal qual as brasileiras e comprar. Exemplos de tickers: AAPL34 (APPLE), GOGL34 (ALPHABET – GOOGLE) e NFLX34 (NETFLIX).

Diferente do mercado brasileiro onde é possível comprar um lote de ações com R$ 1.200,00 (ex. lote de ITSA4 com cotação a 12 reais), no mercado americano algumas ações podem custar algumas centenas de reais. Um lote de ações do NETFLIX em 29/04 custaria quase 150 mil reais. Mas você pode comprar ações no mercado fracionado se preferir (de 1 a 99 ações).

Ações NETFLIX

Atenção!!

Todo este processo é transparente – e não muito importante, na verdade – para você investidor, então ocupe seu tempo em estudar os fundamentos das empresas antes de investir, ok?

Ainda os BDRs são classificados em: Patrocinados – níveis I, II e III e Não Patrocinados.

A diferença básica entre elas é que na primeira, a empresa do exterior escolhe a instituição depositária e isto traz grande vantagem para a negociação, já que a depositária pode emitir ou cancelar conforme a demanda do mercado primário de ações.

Já a segunda, a depositária não possui nenhum acordo com a empresa estrangeira e utiliza os ativos já em circulação no país de origem, mas (a depositária) deve comprometer-se e seguir as regras nacionais de divulgação de informações corporativas e financeiras da mesma, uma vez que as empresas lá fora seguem suas próprias regras e obrigações de divulgação.

Dentro do BDR Patrocinado, temos três divisões:

BDR P:  Nível I

Uma regra simples: Só pode aplicar aqui quem tem mais de R$ 1.000.000,00 na conta. Tranquilo, né? Claro que não, e por isto essa operação não é viável para a grande maioria dos investidores.

BDR P: Nível II e III

Diferente do Nível I, os níveis II e III tem a obrigatoriedade de registro da empresa emissora na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e admitidos para negociação em bolsa ou mercado de balcão.

A diferença entre nível II e III é que, para o último, é registrada a hipótese de distribuição pública simultânea: no Brasil e exterior.

Estes dois níveis são os mais indicados para quem quiser aderir esta modalidade de investimento.

Quais as vantagens e riscos?

De fato os BDRs possuem vantagens para o investidor:

  • Acesso facilitado às ações das companhias estrangeiras sem ter que pagar os custos relacionados à remessa de recursos para o estrangeiro ou abertura de contas internacionais, ficando exposto a legislação fiscal e tributária de lá, que é complicado dominar, se você já não for um expert na área, claro – não é meu caso.
  • Apesar de o investidor ficar exposto às variações de preços de um ativo estrangeiro, as operações são realizadas no Brasil e a liquidação é feita em reais;
  • Possibilidade de diversificação de investimentos dividindo os riscos de sua carteira com ativos locais e estrangeiros. Esta pra mim é o melhor aspecto deste investimento: A diversificação!

Mas e os riscos? Ahhh, os riscos estão sempre por aí.

Nada de novo, na verdade, pois os riscos da renda variável são bem conhecidos e presentes para aqueles que adoram comprar e vender loucamente suas ações: a volatilidade de um mercado sensível a inúmeras variáveis que não controlamos, seja aqui no Brasil seja no exterior.

A FGV-EESP, publicou um artigo que fala deste entusiasmo da compra e venda no curto prazo, os Day-Traders que, após analisados os dados, não tem rentabilidade alta, ou constante, para o investidor (Leia a matéria completa aqui).

Particularmente, sou partidário desta posição, pois para a renda variável – e desculpem os românticos de plantão – o que vale é a dedicação pra entender os valores da empresa (Lembra do início do texto?) e não focar apenas no preço atual sendo negociado.

Um bom exemplo são as ações da Coca-Cola Company (Ticker:COCA34), empresa sólida, mundialmente conhecida, com penetração de mercado para todos os seus produtos. Ótima escolha, certo? Depende.

Para você que comprou em 25 de fevereiro de 2016 e, desanimado com os resultados da empresa até aquele período, vendeu tudo um ano depois, perdeu – e perdeu muito, 26,48%, mas se você é mais focado nos valores da empresa, sua capacidade gerencial, seus balanços financeiros que indicavam solidez nos números e resolveu segurar sua posição até hoje você, além de recuperar seu investimento inicial ainda ganha com a valorização de +4,75%. E estou falando de um tempo curto, para o horizonte de investimentos em renda variável.

E aí, BDRs valem como investimento?

Depende!!! Desculpe se te deixei frustado agora, mas a verdade é assim mesmo.

O investimento no exterior pode ser uma ótima alternativa para você que já investiu em todos os produtos disponíveis no Brasil (renda fixa, renda variável, fundos de investimento etc) e quer ir mais além com seu patrimônio e pode arriscar sem medo de não ter dinheiro para o dia a dia, mas um alerta, sempre que investir em uma empresa – seja aqui ou lá fora – acompanhe de perto a saúde financeira dela, leia os relatórios e cuidado com “as dicas” que circulam pela internet: Você quem deve chegar a conclusão se determinada empresa merece, ou não, seu capital aportado como sócio – que é o que você se torna ao adquirir os certificados.

Uma boa opção para se expor a ativos americanos é o ETF IVVB11, este se baseia no índice SP500.

E o mais importante: Sempre invista! Se não tiver dinheiro – ou certeza do que quer – ainda, aplique o seu tempo em estudo e conhecimento, mas não deixe de investir quando puder. 

No YouTube existem vários vídeos bacanas sobre este conteúdo, tal qual este da profissional Beatriz Aguillar.

BDR's, o que é e como investir?